domingo, 5 de outubro de 2014

ADEUSA





Assim me batizo por via do coração incorpóreo com as águas do pecado pouco original
; aqui as transmuto pelo sacrifício das pétalas de Anahata que tornará, em breve, a florir.

Agora me converto naquela que recusa o pseudónimo e a antologia fragmentária, e se 
escolhe, esposa de si mesma, o nome que mais transparência e vibração convoca à sua 
inteira água interna, dos antepassados e daqueles que hão de vir, em reverência e gratidão. 

Com o sinal do coração selo a minha nova identidade : suzamna hezequiel, e me auguro descondicionamento criativo, prazer e beatitude, congregando todas as Pequenas e as
Altas Entidades de Luz, para o Bem e para o Progresso Universais. Que assim seja!...


Adeusa





segunda-feira, 29 de setembro de 2014

EXAMINEMOS


Examinemos, de mãos espiritualmente enlaçadas,
a nossa escalada
pelas etapas cromáticas do Corpo
; do cinábrio ao lilás,
do índigo ao platina.

Não façamos demasiadas perguntas,
nem evoquemos a mais consensual das teorias
; este é um input como qualquer outro,
que assimilámos na pressa dos aniversários
; aceitemo-lo como uma benesse e suspeitemos dele apenas vagamente,
para que, quando atestarmos a sua veracidade,
nos assombremos para além do texto.

Como quem lambe a palma de um mártir de Urântia,
nutramo-nos com a nervura dos nossos próprios estigmas
e, através da Pontíssima da Língua,
penetremos a palma de todos os seus representantes nas subsequentes abóbadas,
progressivamente mais delicadas, até ao Cristal Universal,
que mais Adiante é uma mulher.

Surgem elementos novos,
não previamente induzidos
formas virgem reprogramam a nossa vista interna
paredes plasmáticas fulgem de vida branca
reconfiguram-se em halls ondeantes sem altar.

Aqui vêm orar os Invisíveis pelo equilíbrio do Universo,
onde as dores e os medos são incinerados
para fertilizar campos de Glicínias e Rosas de Santa Teresinha
que alimentam

: assim se purifica o odor a vala comum

(os Invisíveis que ocupam a Luz entre a luz e rezam por prazer)

Também tu és um Invisível amnésico
; esse é um chip que trazes no umbigo
(para que haveria ele de servir depois do terno e mortificado recomeço?)

Assumimos todas as nossas formas em simultâneo,
sobrepostas holograficamente com volumetria táctil,
e o nosso Amor, sobre o qual ainda pouco sabemos,
incólume à banalização dos romances-produto,
transfigura-nos o nervo ótico
e contemplamos, finalmente, as nossas asas.

Adentremos o Sol dos sóis
: o não-hélio.

Expiremos sem temor e sem remorso.

Na fração da morte do pequeno corpo,
a transgressão é o sorriso jamais fingido
; a palavra inteira.




suza(m)na hezequiel